ARES e AFRODITE

Ele era afetado por Afrodite, com quem teve um longo caso de amor.

Homero conta, em sua Odisséia, uma estória sobre o deus sol, Hélio, iluminando o casal que desfrutava de seus encantos e relatando seu local de encontro para Hefesto, marido de Afrodite.

Hephaestus afrodite ares Carolsfeld

O grande ferreiro preparou uma rede especial com a qual prendeu o casal em um abraço apaixonado. Ele ofereceu exibir o casal preso na rede para os deuses do Olimpo, mas as mulheres foram contra.

Homero afirma que muitos dos deuses masculinos se ofereceram para trocar de lugar com Ares.

Movido por fortes ciúmes, Ares assassinou Adônis, seu rival na preferência de Afrodite.

Os Alóadas, os dois gigantescos e temíveis filhos de Poseídon, Oto e Efialtes, para vingar Adônis, encerraram o deus da guerra num pote de bronze, dpois de o terem amarrado. Ali o deixaram durante treze meses, até que o astucioso Hermes conseguiu libertá-lo num estado de extrema fraqueza.

Três coisas nos chamam a atenção no mito de Ares: o pouquísimo apreço com que era tido por parte de seus irmãos olímpicos; a pobreza de seu culto na Hélade e, apesar de ser um deus da guerra, suas constantes derrotas para imortais, heróis e até para simples mortais.

Pública e solenemente desprezado pelos próprios pais, era ridicularizado por seus pares e até pelos poetas, que se regozijavam em chamá-lo, enttre outros epítetos deprimentes, de louco, impetuoso, bebedor de sangue, flagelo de homens, deus das lágrimas…

Um deus olímpico, com tais características, convida a uma reflexão.

Há os que solucionam o problema de maneira muito simples: os gregos, desde a época homérica, se compraziam em mostrar a força cega e bruta de Ares debelada e burlada pelo vigor mais inteligente de Hércules e, sobretudo, pela coragem lúcida, viril e refletida de Atena.

A vitória da inteligência sobre a força bruta refletiria a essência do pensamento grego, e tudo estaria resolvido.

As crônicas não referem nenhum detalhe maravilhoso ou extravagante a respeito da concepção ou do nascimento do velho Ares grego.

Uma versão, diz que Hera concebeu o turbulento deus de um contato que teve com uma flor cultivada nos campos. Flora, a deusa da vegetação, teria sido a inspiradora da terna idéia.

Mas como conciliar esta concepção lírica e bucólica, em meio aos pássaros e as flores, com o caráter rude deste deus brutal e sanguinário?

Quanto ao aspecto físico, todos são unânimes em atribuir a Ares um belo porte marcial, e de ostentar em seu peito uma soberba e reluzente armadura.

O fato é que nenhum de seus pares de imortalidade parecia lhe devotar a menor simpatia, nem mesmo seu suposto pai, Zeus, que Ihe teria dito:
Não me venha com seus choramingos, ó inconstante! É para mim o mais detestável dos deuses que habitam o Olimpo, pois ama unicamente a discórdia, a guerra e os combates. Tem o espirito intratável e teimoso de sua mãe, Hera, que sé a custo consigo reprimir com palavras. Se fosse filho de qualquer outro deus, já há muito teria sido rebaixado entre os filhos do céu!

Ares, pois, na condição de deus da guerra, anda sempre na companhia de seus dois filhos de tremenda figura, o Medo e o Terror. Quando seu carro ardente surge, precedido por estes pavorosos arautos, anunciando que a fúria das batalhas está prestes a se desencadear, poucos, com efeito, podem reprimir urn espasmo de medo e terror.

A Discórdia, com cabelos de serpentes que estão sempre a verter incessantemente uma baba infecta, vai um pouco mais adiante, espalhando a intriga e a calúnia. Porque tal é a sua vocação: onde houver dois interesses minimarnente contrapostos, é sua obrigação torná-los irreconciliáveis.

ares02 com afrodite

Se adiante vai esse perverso conjunto de arautos, fechando o cortejo estão aquelas que recebem o espantoso apelido de cadelas de Hades.  São as Queres, deusas sanguinárias, antecessoras dos nossos modernos vampiros, que merguIham sobre as vítirnas abatidas para dilacerar suas carnes e beber seu sangue, arrastando-as depois para a morada das sombras. Tais são as agradáveis companhias de que desfruta o belicoso deus.

Mas como esta cruel divindade pôde inspirar amor a Afrodite e dar a ela um filho como Eros?

Talvez, porque sendo o amor também uma batalha, com todos os lances e estratégias de uma guerra, fosse natural que dois deuses tão opostos acabassern por se sentir inevitaveimente atraídos. 

O fato é que, mesmo no amor, o atrapalhado deus não se saiu tão bem quanto esperava, pois apesar de ter conseguido render a sua amada Afrodite, teve que passar pelo dissabor de ser flagrado em pleno leito pelo marido desta, o não menos truculento Hefesto, deus das forjas.

Aprisionados ambos numa rede indestrutível, confeccionada pelo próprio Hefesto, Ares ardoroso e Afrodite infiel foram expostos a execração pública, diante de todos os deuses do Olimpo.

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