A Guerra de Tróia

A guerra de Tróia foi um episódio sangrento da antiguidade, que teve lugar muito provavelmente entre 1300 a.C. e 1200 a.C, que culminou com a destruição da cidade de Tróia.

Os gregos antigos acreditavam que a guerra de Tróia era um fato histórico, ocorrido no período micênico, mas, durante séculos, os estudiosos tiveram dúvidas se ela de fato ocorreu. Até a descoberta do sítio arqueológico na Turquia, acreditava-se que Tróia era uma cidade mitológica.

A Ilíada, de Homero, descreve os acontecimentos finais da guerra, que incluem as mortes de Pátroclo, Heitor e Ajax, que se matou com a espada que Heitor lhe deu. Por isso, esse período da história é chamado de Tempos Homéricos.

Suas montanhas, com o céu quase sempre azul e seu clima suave faziam de Tróia, uma das mais maravilhosas cidades do mundo antigo.  Tinha um clima ameno e agradável. Muita chuva caía a cada ano, principalmente no inverno. No verão, o povo vivia quase inteiramente ao ar livre. Embora os ventos de inverno fossem frios, os troianos promoviam a maioria dos divertimentos e reuniões públicas fora dos recintos cobertos. 

Os troianos eram um povo animado, que se divertia com as conversas e a companhia dos outros.  O povo levava uma vida simples, começando na moradia, que era de pedra ou de tijolos secos ao sol e cobertos com estuque.

A maioria dos troianos fazia apenas duas refeições por dia. O almoço, muitas vezes consistia somente de um prato de feijão ou de ervilhas e de uma cebola crua ou um nabo cozido. Ao cair da noite havia a refeição principal, que incluía pão, queijo, figos, azeitonas e por vezes um pedaço de carne ou queijo.  Não conheciam o açúcar, porém serviam-se do mel para adoçar seus alimentos. Usavam o azeite para passar no pão, além de empregarem-no como óleo de cozinha e sabão. A maioria dos troianos bebiam uma mistura de vinho e água; eles consideravam o leite próprio apenas para os animais e os bárbaros. 

Homens e mulheres usavam uma túnica que descia até os joelhos ou tornozelos; um cinto estreito prendia na cintura, a túnica feminina.  Grande parte dessas túnicas era feita de lã; apenas os mais ricos podiam tê-las de algodão ou linho. O povo usava túnicas de cor marrom para o trabalho e de cor branca nas ocasiões formais.  Tanto os homens como as mulheres trajavam também, mantos que eles arrumavam com pregas, sobre os ombros e os braços. Os moços por vezes usavam uma clâmide, um pequeno manto preso no ombro. Dentro de casa, os troianos, habitualmente, andavam descalços; na rua, muitos usavam sandálias. A maioria dos troianos andava com as cabeças descobertas. 

A cidade contava com um ginásio ao ar livre, onde os homens podiam praticar exercícios ou vários tipos de jogos com bola. As crianças geralmente rolavam aros ou brincavam com bonecas. Os homens mais velhos sentavam-se na ágora (mercado), onde ficavam jogando damas ou conversando. A mulher troiana trabalhava quase que todo o tempo e tinha poucos divertimentos. As caçadas eram os passatempos prediletos nas propriedades rurais.

As meninas não recebiam qualquer educação formal, mas aprendiam os ofícios domésticos e os trabalhos manuais com as mães. O principal objetivo da educação, era preparar o menino para ser um bom cidadão. Os troianos antigos não contavam com uma educação técnica para preparar os estudantes para uma profissão ou negócio.  Os arquitetos troianos demonstravam grande habilidade em seus projetos de tempos e edifícios públicos. Eles assentavam com perfeição os blocos de mármore ou de pedra calcária, sem usar argamassa, e empregavam graciosas colunas para sustentar os tempos.

A música era executada por um só instrumento de sopro ou de cordas acompanhado por uma forte batida rítmica. Os instrumentos favoritos era a lira, a cítara, parecida com o alaúde, e o “áulo”, que lembrava um pouco o oboé.  Eles apreciavam bastante o canto e escreveram muitos poemas em forma de canção com acompanhamento de lira. Eles chamavam essa poesia de “poesia lírica”.

Os troianos, como os gregos, adoravam os vários deuses do Olimpo, e os representavam sob a forma humana.  Portanto, sua religião era politeísta e antropomórfica. Praticavam ainda, o culto dos heróis, que eram seres mitológicos, como: Teseu, Perseu e Hércules.  O culto aos deuses era tão desenvolvido, que chegaram a erigir soberbos templos às suas divindades, nos quais realizavam suas orações. Consideravam que os oráculos eram meios utilizados pelos deuses para se comunicarem com eles.  Diversos jogos periódicos eram promovidos pelos troianos em homenagem aos deuses, como os Jogos Olímpicos, na Grécia. Os Jogos Olímpicos eram praticados de quatro em quatro anos. Durante sua realização, sustavam-se as guerras, e respeitavam-se como as pessoas sagradas, os seus participantes.

Os deuses Apolo e Poseidon, construíram a cidade de Tróia para o pai de Príamo, Laomedon.  Quando seu pai morreu, Príamo tornou-se o rei de Tróia e teve um filho e uma filha, Cassandra, com sua mulher, Hécuba, que havia sonhado, durante a gravidez, que daria á luz uma tocha flamejante.   

– Eu sonhei que a criança nascera… um filho…  E quando o peguei no berço, não era um bebê, mas uma criança grande, ardendo em chamas, queimando, como se fosse uma tocha.  E quando ele começou a correr, o fogo se espalhou, invadindo o palácio, queimando tudo, atingindo a cidade…

Uma sacerdotisa declarou que o recém-nascido, Páris, deveria ser morto imediatamente, ou então, ele destruiria a cidade. 

– Assim falou o mensageiro dos Deuses do Olimpo.  Gera um filho sob um fado maligno, que destruirá a cidade de Tróia.

Procurando impedir que a maldição se cumprisse, seus pais o abandonaram para morrer,  mas o menino escapou, foi descoberto por pastores e cresceu entre eles, longe da cidade, nas fazendas do monte Ida, e quando se fez homem, casou-se com Enone, uma camponesa da região.

Enquanto isso, Peleu, rei de Iolcos, ficou viúvo e resolveu se casar com a Nereida Tétis.  Foi um dos casamentos mais importantes da antiguidade.  Até os deuses vieram assistir à cerimonia, e trouxeram os mais lindos presentes.  Peleu havia mandado convite para todas as divindades, maiores ou menores, exceto uma: Éris, a Discórdia.

Estavam no melhor da festa, quando a terrível Éris surgiu.  Chegou e colocou sobre um apedra, um pomo (fruto) de ouro, com esta inscrição:

– À mais bela!

Aquilo era uma provocação às três grandes deusas ali presentes:  Hera (esposa de Zeus), Atena e Afrodite (filhas de Zeus).

A qual fazer-se a entrega do pomo?  Como decidir qual das três a mais bela?

Zeus se recusou a julgar um concurso de beleza entre sua esposa e duas de suas filhas. 

Tornou-se necessário um outro juiz. 

Hérmes convidou para juiz, o jovem Páris, que ainda era um pastor em Ida. 

Cada uma das deusas prometeu a Páris uma grande recompensa, se fosse a escolhida.

Hera lhe ofereceu poder, Atena lhe ofereceu glória militar e sabedoria, e Afrodite lhe ofereceu como esposa, a mais bela mulher do mundo. 

Venus maça ThorvaldsenPáris olhou para as três divindades e entregou o pomo à Afrodite, a deusa da beleza.

Hera e Atena roeram-se por dentro, de inveja, e para se vingar do julgamento daquele juiz de Tróia, provocaram a guerra entre os gregos e os troianos, da qual Tróia saiu completamente destruída.

Helena era a mulher mais bela do mundo.  Alta e delicada, os cabelos finos e louros, as feições como mármore esculpido, e profundos olhos azuis.  Era filha de Leda e Zeus, irmã de Clitemnestra, dos gêmeos Castor e Pólux, e esposa de Menelau.  Leda a havia concebido, quando Zeus tomou o corpo de seu marido, Tindareus.  Ela foi a única filha mortal de Zeus.  Seus outros irmãos eram filhos do marido de Leda.  Sua beleza era famosa por todo o mundo.  Seu pai não concordava com nenhum dos meus pretendentes, mas os guerreiros gregos se reuniram e juntos pediram-na em casamento.  Foi então, que a se casou com Menelau, rei de Esparta e sua irmã, Klitemnestra se casou com Agamemnon, rei de Argos, e irmão de Menelau.

Quando Páris se tornou homem, ele retornou a Tróia para competir nos jogos atléticos, e foi reconhecido, retornando, portanto, ao seio da família real, que já se esquecera da profecia, trazendo, inclusive, sua esposa, Enone, que lhe deu um filho, Corito.

A culpa foi minha, disse Príamo, por dar ouvidos a bobagens supersticiosas.  Venha ao palácio, jantar com sua mãe e seus irmãos.

Mais tarde, ele viajou para Esparta, como embaixador de Tróia, numa época em que Menelau estava ausente.

Páris e Helena se apaixonaram e fugiram de Esparta, levando consigo muitos dos tesouros da cidade, retornando a Tróia, através do Egito e de outros lugares, viajando por muito tempo.   Para conseguir Helena, Páris havia violado o sagrado comportamento de um hóspede. 

Helena e Páris - Jacques-Louis David

Helena e Páris - Jacques-Louis David

Os espartanos os perseguiram mas não os puderam alcançar.   

Chegaram em Tróia, e a situação se tornou um caos. 

Páris abandonou Enone, mãe de seu filho, apresentando-me à sua família, como sua esposa legítma. 

Apenas Cassandra, a irmã de Páris, revoltou-se.

– Se você abandonar Enone, você é um tolo e um vilão.  Posso garantir agora que, no mínimo, ela atrairá a guerra, para esta cidade.

Mas nada adiantou, e Enone, desesperada, fugiu do palácio, com o filho de Páris, de volta às suas montanhas.  Dessa união nasceram Agano, Bunico, Ideu e Helena, todos mortos durante um terremoto e a tomada de Tróia. 

Quando descobriram que havíam chegado a Tróia, Menelau, o marido traído e Odisseu, rei de  Ítaca, foram até lá pegá-la de volta e aos tesouros. 

Deseja voltar para seu marido?  Perguntou Príamo.

Não meu senhor, disse-lhe Helena.

Como dar atenção ao que diz uma rameira infiel? gritou Menelau.  Ela é minha e vou levá-la.

Não haverá mais ofensas sob meu teto!  revidou Páris.

Tome cuidado com o que diz.  Poderá não haver mais teto sobre sua cabeça!

O rapto de Helena

O rapto de Helena

Como não conseguiram, os espartanos se reuniram para invadir Tróia.  E todas as mulheres de Tróia invejaram Helena, por seu marido. 

Aqules e Quiron

Aqules e Quiron

Aquiles, filho de Peleus e Tétis, foi educado por Quiron, o centauro. 

Uma das condições para que fosse permitido o casamento dos pais de Aquiles (a união de um mortal com uma ninfa divina), era que o filho deles nascido deveria morrer numa guerra e trazer grande tristeza para sua mãe. 

Para protegê-lo da morte na batalha, sua mãe o banhou, bem jovem, nas águas do rio Estige, o que lhe conferiu invulnerabilidade. 

Só se esqueceu de um de seus calcanhares, que ficou desguarnecido. 

Quando os gregos começaram a formar a sua armada, os pais de Aquiles o esconderam, disfarçado de mulher. 

– E que linda donzela ele devia parecer, com aqueles ombros enormes…

O profeta da armada grega, disse a Agamemnon e aos outros líderes, que eles não poderiam conquistar Tróia, sem a ajuda de Aquiles. 

Odisseu conseguiu encontrar Aquiles, e ele teve que ir na expedição, acompanhado de seu amigo Patroclus. 

Os gregos reuniram mais de cem navios, e Agamemnon era o comandante.   

Durante a viagem eles sofreram muitos atrasos, por conta de ventos contrários, enviados pela deusa Artemis. 

Em desespero, para agradar a deusa, Agamemnon ofereceu sua filha Ifigênia, em sacrifício. 

Artemis a carregou e dela fez uma sacerdotisa de seu templo.  Depois disso, os ventos mudaram e eles puderam velejar com segurança para Tróia.

No caminho, Philoctetes, filho de Poeas e líder de Methone, foi mordido por uma cobra, quando estavam em terra, descansando. 

Sua dor era tanta e sua ferida tão feia, que os gregos o abandonaram, contra sua vontade na ilha de Tenedos. 

A armada grega parou numa praia antes de Tróia, mas das muralhas de seu palácio, Helena viu chegar a armada grega e os identificou para Príamo. 

O primeiro homem que desceu do navio, foi morto por Heitor, filho de Príamo e líder da armada troiana. 

Os gregos, então, mandaram um embaixador a Tróia, na tentativa de recuperar Helena e os tesouros.  Quando não conseguiram, novamente, os gregos iniciaram uma guerra que durou muitos anos.

Um dia, Agamemnon insultou o deus Apolo, ao tomar como escrava, a garota Chryseis, filha de um de seus profetas. 

Apolo procurou a ajuda da deusa Nêmesis, senhora da vingança divina, aquela que castigava os crimes dos mortais, e mandou nove dias de pragas, na armada grega.

– Cuidado, vocês que ofenderam meu sacerdote! 

– Esta é minha cidade! 

– Minha maldição e minhas flechas vão se abater sobre todos vocês, até o último homem! 

Esta foi a voz do Deus.

Aquiles pediu uma reunião, para se determinar o que fazer. 

Nessa reunião, ele e Agamemnon discutiram amargamente.

Agamemnon foi obrigado a devolver Chryseis e, por causa disto, confiscou a escrava de Aquiles, Briseida, o que fez com que o herói, com raiva, se retirasse e a todas as suas forças, da batalha.           

Aquiles pediu a sua mãe Tétis, para interceder pelos troianos, junto a Zeus, de forma que os gregos reconhecessem a tolice de Agamemnon, em ofender seu melhor soldado. 

Tétis fez o pedido a Zeus, cobrando dele um favor antigo que ele lhe devia.   Zeus concordou.

Zeus e Tétis - Ingres

Zeus e Tétis - Ingres

Durante o curso da guerra, vários incidentes aconteceram, e muitos morreram, de ambos os lados. 

Menelau desafiou Páris para um duelo.

– Minha discórdia é com você e não com a cidade de Tróia.  Proponho um combate pessoal, diante de todos os soldados.  Se você vencer, poderá ficar com Helena.  Mas se eu vencer, então ela me será entregue, sem pedir mais nada.  Qual a sua resposta?

–  Pois bem, respondeu Páris.  Dentro de uma hora, se assim o quiser.

Páris e Menelau lutaram em duelo, mas Páris foi salvo por Afrodite, na hora em que este ia matá-lo.  Como houve a intervenção da Deusa, nenhum dos dois foi vencedor ou perdedor. 

Com a ausência de Aquiles, o maior dos guerreiros gregos, e seguindo a promessa de Zeus a Tétis, Hector conseguiu ter grande sucesso contra os gregos, incendiando seus navios.

Enquanto Hector estava festejando seu sucesso contra os gregos, estes mandaram um enviado a Aquiles, pedindo que ele voltasse para a batalha. 

Agamemnon ofereceu muitas compensações pelo insulto inicial. 

Aquiles recusou as ofertas, mas disse que iria reconsiderar se Hector destruísse os navios gregos. 

Quando isso aconteceu, Patroclus, amigo de Aquiles, pediu permissão para voltar à luta.

Aquiles lhe deu sua permissão, avisando para que ele não atacasse a cidade de Tróia. 

Ele também deu a Patroclus, sua própria armadura, de forma que os troianos pensaram que Aquiles tinha retornado à guerra. 

Patroclus voltou à luta, com algum sucesso, mas foi finalmente, morto por Hector, com a ajuda do deus Apolo. 

A morte de Pátroclo - Caravaggio

A morte de Pátroclo - Caravaggio

Aquiles fez uma grande pira funeral para Patroclus, matou soldados troianos em sacrifício, e organizou jogos em honra a seu amigo assassinado. 

Em sua dor quanto à morte de seu amigo Patroclus, Aquiles decidiu retornar. 

Já que ele não tinha mais armadura, porque Hector havia retalhado o corpo de Patroclus e passado a usá-la, Tétis pediu ao deus da forja, Hefestos,  para preparar uma armadura divina para seu filho.

Hefestos assim o fez, Tétis deu a armadura para Aquiles e ele voltou à guerra.

Depois de matar muitos troianos, Aquiles, finalmente, se encontrou com Hector, sozinho, fora das muralhas de Tróia. 

Hector preferiu ficar e lutar, sem fugir para a cidade, e foi morto por Aquiles, que, então, mutilou seu corpo, o amarrou a uma carruagem e o arrastou durante toda a noite.

Ele está morto!  Nosso maior herói está morto!  Hécuba lamentava-se. 

Príamo foi até o acampamento grego para reclamar o corpo de Hector, e Aquiles o devolveu, depois de receber o peso de seu corpo em ouro, como resgate.

Lamento por Hector (Heitor)

Lamento por Hector (Heitor)

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