Finalmente, os gregos descobriram uma estratégia com um cavalo de madeira cheio de soldados armados.
Ele foi construído e deixado em frente aos portões de Tróia.
Os gregos, então, foram embora para Tenedos, fingindo estar abandonando o campo de batalha.
Odisseu foi à cidade, disfarçado. Hécuba, a esposa de Príamo, o colocou para fora da cidade, depois de informada de tudo.
Um soldado grego ficou para trás, quando eles foram embora e fingiu para os troianos que ele havia desertado, porque ele sabia de informações comprometedoras sobre Odisseu (Ulisses). Ele disse aos troianos que o cavalo era um oferenda para Poseidon e que os gregos o haviam construído tão grande, de forma que não pudesse ser levado para dentro dos portões da cidade.
Foi determinado que o Cavalo fosse trazido para dentro da cidade.
Eles quebraram parte dos muros que a cercavam, trouxeram o cavalo para dentro, e celebraram sua aparente vitória. À noite, enquanto os troianos dormiam, os soldados gregos escondidos no cavalo, saíram, abriram os portões da cidade, e avisaram aos outros que estavam esperando em Tenedos. A cidade foi totalmente destruída.
O rei Príamo foi morto no seu próprio trono, pelo filho de Aquiles, Neoptolemos, e Hécuba, Cassandra e Andromaca (mulher de Heitor), foram feitas prisioneiras.
Aproximava-se a hora da vitória final. Exaustos, os troianos nem combateram mais.
O sangue correu solto pela cidade. Menelau penetrou na casa real e matou o novo marido de Helena, Deífobo. Depois, quebrou as sólidas portas do quarto dela. Helena, apavorada, refugiou-se no altar doméstico e, acuada entre as imagens santas, chorando, pediu piedade.
Com um estranho brilho nos olhos, e um sorriso de sarcasmo, Menelau a agarrou pelos cabelos e a espancou. Sacou da espada e ameaçou fincá-la nas suas carnes macias, antegozando o momento em que a morte tornaria feia e pálida a face sedutora.
Mas Helena, muito sabida, arrancou, inteiramente, suas vestes. No guerreiro, esmoreceu o desejo de matar. Outro desejo antigo invadiu-lhe o corpo. Atirou longe a espada e abraçou-a num gesto de amor e perdão.
Finalmente reunidos, os dois voltaram a Esparta. Na corte, os nobres recusaram-se a recebe-la como rainha, novamente. Nas ruas, o povo rebelou-se, querendo puni-la por suas traições, pelas vidas derramadas nos campos de batalha, pelas riquezas destruídas, pelas sementes tornadas em pó.
Menelau, porém, obrigou todos a respeitarem Helena. Pouco a pouco, Esparta voltou a aceitar a mulher mais bela do mundo, cujas feições nunca perdiam o viço e cujo corpo enlouquecia de paixão, todo mortal que a visse: Helena.
Helena, por sua vez, esqueceu seu passado infeliz. Como se tivesse no cérebro um instrumento destinado a apagar as memórias dolorosas, estava sempre sorrindo, disposta a saciar a paixão incansável de Menelau.
E para Nicóstrato, o filho recentemente nascido, mostrou-se mãe doce e afetuosa.
O rei, ao ouvir estórias da guerra ou as lamentações dos que carregariam para sempre o luto em suas almas, mal podia crer que aquela criatura que partilhava com ele o leito real, tão serena e generosa, podia ter, um dia, causado a miséria e a desgraça de tantos.


