Ares, nas prolongadas ausências de Hefesto, que instalara suas forjas no monte Etna, na Sicília, partilhava constantemente o leito de Afrodite.
Fazia-o tranquilo, porque sempre deixava à porta dos aposentos da deusa uma sentinela, um jovem chamado Aléctrion, que deveria avisá-lo da aproximação da luz do dia, isto é, do nascimento so Sol, conhecedor profundo de todas as mazelas deste mundo.
Um dia, o incansável vigia dormiu e Hélio, o sol, que tudo vê e que não perde a hora, surpreendeu os amantes e avisou Hefesto.
Este, preparou uma rede mágica e prendeu o casal ao leito.
Convocou os deuses para testemunharem o adultério e estes se divertiram tanto com a picante situação, que a abóbada celeste reboava com as gargalhadas.
Após insistentes pedidos de Poseidom, o deus coxo consentiu em retirar a rede.
Envergonhada, Afrodite fugiu para Chipre e Ares para a Trácia.
Desses amores nasceram Fobos (o medo), Deimos (o terror) e Harmonia.
Quanto ao jovem Aléction, por haver permitido, com seu sono, que Hélio denunciasse a Hefesto tão flagrante adultério, foi metamorfoseado em galo e obrigado a cantar toda madrugada, antes do nascimento do sol.


