Téias, Rei da Síria, tinha uma filha, Mirra, que, desejando competir em beleza com a deusa do amor, foi por esta terrivelmente castigada, concebendo uma paixão incestuosa pelo próprio pai.
Com auxílio de sua aia, Hipólita, conseguiu enganar Téias unindo-se a ele durante doze noites consecutivas.
Na derradeira noite, o rei percebeu o engodo e perseguiu a filha com a intenção de matá-la.
Mirra colocou-se sob a proteção dos deuses, que a transformaram na árvore que tem seu nome.
Meses depois, a casca da “mirra” começou a inchar e no décimo mês se abriu, nascendo Adônis.
Tocada pela beleza da criança, Afrodite recolheu-a e confiou secretamente a Perséfone.
Esta, encantada com o menino, negou-se a devolvê-lo à esposa de Hefesto.
A luta entre as duas deusas foi arbitrada por Zeus e ficou estipulado que Adônis passaria um terço do ano com Perséfone, outro com Afrodite e os restantes quatro meses onde quisesse.
Mas, na verdade, o lindíssimo filho de Mirra sempre passou oito meses do ano com a deusa do amor.
Mais tarde, a colérica Artemis lançou contra Adônis adolescente a fúria de um javali, que, no decurso de uma caçada, o matou.
A pedido de Afrodite, foi o seu grande amor transformado por Zeus em anêmona, flor da primavera.
E o mesmo Zeus consentiu que o belo jovem ressurgisse quatro meses por ano e vivesse ao lado da amante. Efetivamente, passados os quatro meses primaveris, a flor anêmona fenece e morre.
A morte de Adônis, deus da vegetação, do ciclo da semente, que morre e ressuscita, era comemorada no Ocidente e no Oriente.
Na Grécia Helenística, deitava-se Adônis morto num leito de prata, coberto de púrpura.
As oferendas sagradas eram frutas, rosas, anêmonas, perfumes e folhagens, apresentados em cestas de prata.
Gritavam, soluçavam e descabelavam-se as mulheres.
No dia seguinte atiravam-no ao mar com todas as oferendas.
Ecoavam, dessa feita, cantos alegres, uma vez que Adônis, com as chuvas da próxima estação, deveria ressuscitar.
Foi exatamente para perpetuar a memória de seu grande amor oriental, que Afrodite insituiu na Síria uma festa fúnebre, que as mulheres celebravam anualmente, na entrada da primavera.
Para simbolizar o pouco que viveu Adônis, plantavam-se mudas de roseiras em vasos e caixotes e regavam-nas com água morna, para que crescessem mais depressa.



