Io, é uma das paixões de Zeus, filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era filho de Oceanus e Tétis. Foi sacerdotisa da
Hera.
Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que, para cortejá-la, cobriu o mundo com um manto de nuvens escuras, escondendo seus atos da visão de Hera.
A estratégia falhou e a deusa, desconfiada, desceu do monte Olimpo para averiguar o que estava acontecendo.
Numa vã tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou sua amante em uma belíssima novilha branca.
Intrigada pelo interesse do marido no animal e maravilhada com a beleza do mesmo, Hera exigiu a novilha para si e a pôs sob a guarda do gigante Argos, que, quando dormia, mantinha abertos cinqüenta de seus cem olhos.
Zeus encarregou Hermes de libertar sua amada.
Para tanto, o mensageiro dos deuses, usando a flauta de Pã, pôs para dormir os olhos despertos de Argos, enquanto os outros cinqüenta dormiam um sono natural, e cortou sua cabeça.
Hera recolheu os olhos de seu servo e os pôs na cauda do pavão, animal consagrado a ela.
Io estava livre do cativeiro, mas não dos tormentos de Hera.
O fantasma de Argos continuava a persegui-la.
Para piorar sua situação, a deusa enviou um moscardo para picar a novilha constantemente durante sua fuga.
O mito de Io pode ser interpretado como uma alegoria lunar, na qual a fuga da novilha representaria o movimento da Lua e os olhos de Argos, o céu estrelado.
Uma pequena lenda paralela diz que as lágrimas da novilha Io caíram sobre as asas de um inseto, marcando-as eternamente e dando origem à uma bela borboleta.